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NOVO RUMO DA ASSESSORIA DE IMPRENSA

PODCAST SOBRE A NOVA ASSESSORIA DE IMPRENSA

 

 

A transformação do consumo de notícias nos últimos anos não é apenas tecnológica. Ela é cognitiva, comportamental e estrutural. E talvez o dado mais crítico dessa mudança esteja naquilo que o público deixou de fazer: lembrar de onde veio a informação que consumiu.

Estudos conduzidos pelo Reuters Institute for the Study of Journalism apontam que grande parte das pessoas, especialmente as mais jovens, acessa notícias de forma incidental. Ou seja, não entram em plataformas buscando informação jornalística apenas encontram conteúdos informativos enquanto estão em redes sociais ou ambientes de entretenimento.

Essa mudança aparentemente sutil carrega uma consequência profunda que é a desconexão entre conteúdo e marca jornalística.

Quando o público não reconhece ou não retém a origem da informação, o modelo tradicional da assessoria de imprensa (e existem muitas no mercado) começa a perder sustentação. Historicamente, a lógica sempre foi clara. Conquistar espaço em veículos de credibilidade para transferir autoridade ao assessorado. Esse processo dependia diretamente da força simbólica da marca do veículo.

Mas o que acontece quando essa marca deixa de ser percebida?

O efeito imediato é a erosão da mediação. A imprensa continua relevante, mas já não é mais o único, nem necessariamente o principal, canal de construção de reputação.

Nesse novo cenário, a assessoria de imprensa enfrenta a encruzilhada de permanecer operando como intermediadora de mídia ou evoluir para uma função mais estratégica, centrada na gestão da percepção pública.

A mudança de paradigma é evidente.

Antes, o foco estava na exposição.

Agora, está na lembrança.

Isso implica uma reorganização completa das práticas do setor.

A pauta deixa de ser o fim e passa a ser o meio. Uma inserção na imprensa não deve mais ser vista como resultado final, mas como um ativo que pode, e deve, ser desdobrado em múltiplos formatos e canais. O conteúdo precisa nascer preparado para circular em diferentes ambientes, especialmente aqueles regidos por algoritmos de recomendação.

Além disso, o papel do porta-voz se transforma radicalmente. Se o público não fixa o veículo, ele passa a fixar pessoas. Executivos, especialistas e representantes institucionais deixam de ser apenas fontes e passam a atuar como emissores diretos de conteúdo, assumindo protagonismo na construção de autoridade.

Outro aspecto crítico é a mudança nas métricas. O clipping, tradicional indicador de sucesso, torna-se insuficiente para medir impacto real. O mercado passa a exigir indicadores mais complexos, como alcance integrado, frequência de exposição, retenção de audiência e associação de marca.

 

Nesse contexto, a assessoria de imprensa deixa de ser uma atividade operacional e passa a ocupar um espaço mais sofisticado, o de arquitetura de reputação.

Não se trata mais apenas de conseguir espaço, mas de estruturar como uma marca será percebida em um ambiente saturado de informação, onde atenção é escassa e memória é seletiva.

As empresas que compreenderem essa mudança terão uma vantagem competitiva significativa. As que insistirem no modelo tradicional, baseado exclusivamente na lógica de publicação, tendem a enfrentar perda de relevância e pressão por commoditização.

O futuro da assessoria de imprensa não está em produzir mais conteúdo, mas em produzir presença estratégica.

 

 

 
 
 

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